quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Um dia produtivo

Uma vez que é raro acontecer por estes lados, acho pertinente partilhar o primeiro dia ocupado que tive, algures em finais de Novembro. Saí de casa às 10 da manhã e cheguei quase às 20h, it feels like home.

(É também de salientar que escrevi este post no próprio dia, mas acabei por não publicar, não sei porquê, para ser sincera)

Portanto...
Há algum tempo tivemos uma reunião numa escola básica aqui próxima e a professora de inglês ficou muito entusiasmada connosco e quis que integrássemos várias atividades nas aulas dela. Então de manhã fomos participar em duas aulas de turmas do 6º ano para celebrar o Thanksgiving, no papel dos estrangeiros e os miúdos no papel dos nativos. Fiquei a saber que a única coisa que conhecem de Portugal é o Cristiano Ronaldo, mas fiquei encantada com o inglês deles! Comparativamente aos miúdos de 11 ou 12 anos portugueses, estes são fantásticos. Não só conseguem perfeitamente manter uma conversa connosco em inglês, como em determinados momentos da aula falam entre eles em inglês também.

Mais tarde, o exercício físico. Um senhor daqui de Vukovar doou à associação umas mesas, cadeiras e algum material eletrónico e fomos buscar (pelo que entendi) à garagem da mãe dele. No processo, a senhora ia estando muito atenta ao que lá estava e iam ocorrendo diálogos do género:
- O que é isso?
- É um leitor de DVD.
- Ah. Para que é que isso serve?
- Para ver filmes.
- Ah então se calhar fico com isso!
- E isso o que é?
- É um monitor de computador.
- Ah isso dá-me jeito! Vou ficar com isso também!

Para que fique claro, enquanto andávamos a acartar as coisas a única coisa que eu percebi foi que algumas das caixas não eram para levar, só me traduziram a conversa mais tarde.

Ao final do dia fomos fazer uma apresentação sobre o EVS a um centro juvenil em Tompojevci, uma vila a 20 km de Vukovar (se me queixava antes de Vukovar, depois de ver aquela já acho que estou maravilhosamente aqui). A Martina, a nossa chefe, apresentou a parte mais teórica e "burocrática" e depois nós partilhámos um bocadinho do que tem sido a nossa experiência. A parte mais fantástica disto tudo é que nem sequer senti a ansiedade habitual por falar em público! Nem me reconheço. No final as criaturas não me pareceram muito interessadas na mesma, mas bem, fizemos a nossa parte, e muito bem!


Fim de semana em Novi Sad

Como já alguns de vós sabem, eu e os meus housemates fomos passar o fim-de-semana de 19 e 20 a Novi Sad, a segunda maior cidade da Sérvia.


Partimos de Vukovar no sábado, antes 13h e chegámos perto das 15h. Duas horas para fazer cerca de 90km. Parte deste tempo é passado na fronteira, uma vez que a Sérvia não pertence à União Europeia. Assim sendo, temos sempre de parar duas vezes para o controlo. Já percebi que quando se passa a fronteira de autocarro, há vários métodos de fazer a coisa: o condutor recolhe as identificações de toda a gente e leva aos polícias, os polícias vêm verificar dentro do autocarro (que é o que acho que faz mais sentido) ou então mandam toda a gente sair para ir mostrar as identificações na janelinha. Além da verificação das malas. Basicamente, dependendo do método claro, chega-se a perder meia hora nesta brincadeira.

Ao chegar  Novi Sad tive a sensação de "minha nossa, estou numa cidade a sério outra vez!". Não posso dizer, no geral, que seja uma cidade propriamente bonita, eu não achei nada de extraordinário. Na realidade tem zonas muito feiosas, com edifícios muito feiosos. Mas tem muita vida! E o centro da cidade tem monumentos lindíssimos.











































Mas vamos a peripécias, que é para isso que aqui estamos. Em primeiro lugar, não fizemos reserva de hostel, mas lá fomos nós muito crentes, direitinhos a um que tínhamos visto e que nos tinham aconselhado. O senhor foi muito simpático, mas só nos atendeu pelo intercomunicador e disse-nos que estava cheio porque estava a haver um festival não sei de quê, acrescentando tipo um "boa sorte para arranjar hostel sem reserva".

Posto isto, começámos uma incursão pela cidade a levar com portas na cara. Inclusivamente, fomos em busca de um que vimos na net e que quando lá chegámos percebemos que era (desculpem-me o termo) uma casa de p*tas. Apesar de nos ter parecido uma excelente opção, decidimos passar.

A dada altura, começámos a ver o panorama um bocado negro e percebemos que se não arranjássemos um hostel, ou dormíamos na rua, ou pagávamos os olhos da cara por um hotel, ou não dormíamos, porque já nem autocarro para voltar para Vukovar tínhamos.

Três horas e três bolhas nos pés depois, lá encontrámos em Petrovaradin, do outro lado do Danúbio não propriamente um hostel, mas um restaurante que tinha quartos, disponíveis! O quarto não era nada mau, cheirava a lavadinho e ficou por pouco mais de 10€ a cada um, bom negócio! Ficámos um bocado longe do centro da cidade, tipo meia hora ou 45 min a pé do centro (a analogia que consigo fazer é mais ou menos como Porto e Gaia), mas pronto, não foi nenhuma tragédia e foi o que conseguimos arranjar.

É de salientar que levei umas botas teoricamente confortáveis, que nunca na vida me magoaram, e que me fizeram três bolhas, uma delas que me deixou literalmente um buraco no pé durante três dias.

No sábado à noite fomos até ao centro, demos umas voltitas, jantámos e fomos a um barzinho muito acolhedor beber cerveja artesanal sérvia que sabia a laranja (parece estranho, mas era mesmo boa, juro!). Parece que é muito comum lá o conceito de pátios no meio dos prédios, com uma entrada estreitinha, com uma esplanada no meio e os bares à volta. Quando se passa na rua parecem becos escuros esquisitos, mas até é muito agradável.
















































Parece que a APA também serve em rótulos de cerveja
























No domingo de manhã fomos ao forte de Petrovaradin. É precisa quase meia hora a subir para lá chegar, mas vale a pena, tem uma vista fantástica de Novi Sad. Atendendo à quantidade de famílias que lá andavam, acho que é o típico local de passeio de domingo de manhã.















Depois passámos pelo Danube Park, próximo do centro da cidade, também cheio de famílias, e constatámos mesmo que nos nossos países não há tantas famílias e tantos miúdos a correr, a jogar à bola e a sujar-se como ali. E sobretudo parece que é algo que fazem todos os fins-de-semana e os miúdos não andam com smartphones ou tablets ou tralhas do género atrás.





De salientar que a Sérvia, em geral, é um país extremamente barato comparativamente a Portugal, e mesmo à Croácia, sobretudo no que toca à comida. Portanto não é estranho que tenhamos pago em média, cerca de 10€, no total dos três, por cada refeição que fizemos, incluindo pratos e bebidas.

Aqui está o exemplo da minha pizza (deliciosa) que custou mais coisa menos coisa 3€

Entretanto decidimos dar mais uma volta pelo centro e ver a cidade de dia, almoçámos e fizemos um bocado de tempo, porque tínhamos autocarro só às 16h30. A cidade é grande, mas a parte que vale a pena ver é o centro, e faz-se em meia dúzia de horas, portanto não tínhamos grandes planos.






Fomos calma e tranquilamente para a estação dos autocarros, chegámos uma hora antes e afinal era só às 19h30. Quatro horas para matar, tralhas às costas, bolhas nos pés, noite e frio. Decidimos só acampar num café e pronto.

E foi isto, chegámos a casa quase às 22h, com mais umas quantas histórias engraçadas para contar.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Eu seeeei que tenho andado a falhar aqui como as notas de 500, mas tem-me dado a preguiça... Estou em processo de por tudo em ordem e em breve atualizo tudo!

sábado, 19 de novembro de 2016

Vukovar 1991

Hoje, 18 de Novembro, aqui em Vukovar é o Remembrance Day of the Sacrifice of Vukovar, memorial em honra das vítimas da Guerra da Independência da Croácia.

Para contextualizar, muito resumidamente e salvo algum erro, a antiga Jugoslávia dissolveu-se após a queda do Muro de Berlim em 1989 e a Croácia declarou a sua independência em 1991. Contudo, um mês depois, na sequência de ideologias nacionalistas, as forças paramilitares sérvias atacaram as principais cidades croatas e controlaram-nas durante algum tempo. Vukovar acabou por ser a cidade mais afetada, uma vez que houve uma verdadeira e acesa disputa entre croatas e sérvios pelo território, tendo os sérvios cercado completamente a cidade durante três meses. No entanto, os croatas acabaram por reconquistar a cidade, pese embora a ocupação sérvia ainda tenha durado até 1995 ou 1996.
Estima-se que no processo tenham morrido cerca de 10 mil pessoas, algumas das quais foram enterradas em valas comuns. Numa das maiores, que foi descoberta em 1992, estariam cerca de 200 pessoas e, pelo que entendi, só em meados de 2003 conseguiram identificar todas e devolver-lhes a identidade.

Ainda são muito visíveis em toda a cidade os vestígios da guerra. Ainda há inúmeras casas habitadas com buracos feitos pelas balas, muitas casas abandonadas e ruínas daquilo que em tempos foram casas. Há também, obviamente casas novas, reconstruídas, ou construídas já depois da guerra. É muito estranho ver como ambas "coabitam", literalmente lado a lado. E é muito estranho o sentimento de estar ali à frente dos buracos das balas. 















Uma escola básica (que continua a funcionar), perto do YPGD.









A Water Tower, talvez o maior símbolo da cidade, que os sérvios tentaram arduamente derrubar, sem sucesso.
























Nota-se ainda nas pessoas que a guerra está muito presente. São muito sérias, fechadas e não querem nunca falar sobre nada que tenha a ver com a guerra. E até aos dias de hoje, croatas e sérvios não são propriamente os melhores amigos. Há um sentimento de "o meu vizinho matou a minha mãe", como nos explicaram no On Arrival Training. Nas escolas, continuam a separar-se as crianças croatas das crianças sérvias, o que contribui para o perpetuar deste ódio.

O dia de hoje assinala-se com uma procissão, desde o hospital até ao Memorial Cemetery que construíram fora da cidade, onde estão os corpos apenas das vítimas da guerra.

No meio disto, eu senti muito o patriotismo, raiva ainda, sofrimento pelos que morreram, mas também nos que sobreviveram, ao recordar o que passaram.






sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Update

Desde que chegámos de Orahovica, o tédio instalou-se. Tem estado muito muito frio, tipo 0º ou menos. E ainda isto é Outono! Portanto sair de casa só com a manta atrás.
Mas mesmo saindo, não é que haja propriamente muita coisa a acontecer. No limite, vamos tomar um cafézinho ou uma cerveja e voltamos para casa.

No sábado, para ajudar à festa, esteve a chover. E aparentemente, quando chove, a internet (que já não é fantástica) fica uma desgraça. Esqueçam lá filmes ou séries. Só um de vez em quando.
Portanto tenho dormido mais que o habitual, que uma pessoa aborrece-se.

Felizmente no domingo o tempo melhorou e o solinho decidiu dar um ar da sua graça. Acordei cedo e aproveitei para dar um passeio, fazer um bocadinho de fotossíntese e estimular o hipotálamo.



Rio Vuka a desaguar no Danúbio


Monumento em memória das vítimas da Guerra da Independência da Croácia, em 1991










Quanto ao trabalho no YPGD, está a defraudar um bocado as expectativas. Embora eu já tivesse recebido o feeedback de que aqui é mesmo preciso sermos autosuficientes e self-directed learners para poder levar as coisas para a frente, chegar e ficar de rabo sentado, à secretária a olhar para o tecto ou a fazer scrolling no Facebook e no Instagram porque não há nada que fazer, mexeu-me com os neurónios todos. Mas pronto, temos tido algumas ideias para levar para a frente e em breve vamos começar a colaborar com as escolas e espero que isto comece a correr bem!


No que toca à gastronomia, provei burek de queijo pela primeira vez há uns dias. Já tinha ouvido falar imenso do quão maravilhoso era e agora percebo! A comparação que consigo fazer é um intermédio entre massa folhada e a massa das farturas, em versão salgado. Os mais conhecidos são os de carne e os de queijo, mas pelo que ouvi também há com geleia e assim. O ponto negativo é que aquilo é uma bomba de colesterol gordurosa. Mas é taaaaao bom!

Este é o mais pequeno e cobre a minha mão toda!

Vou-vos mantendo informados!