Ora bem, hoje escrevo-vos já de Vukovar, na cama, completamente exausta, mas feliz! Chegou ao fim o On-Arrival Training. Foram dias muito muito bons!
Na terça-feira à noite ainda fizemos uma party na nossa sala de atividades até às 3h da manhã, mais coisa menos coisa. Que aqui faz de nós muito badass, tendo em conta que por estes lados parece que a vida acaba às 18h, um bocado depois do sol acabar o turno às 16h30.
Como já vos tinha falado, na quarta-feira passámos o dia em project planning. Os trainers, a Sunčana e o Domagoj, deram-nos o tópico da juventude em Orahovica e dividimo-nos em quatro grupos de trabalho. A nossa abordagem devia passar por avaliar as necessidades através de pesquisa documental, definir um objetivo e propor atividades que suprissem essas necessidades. Assim, percebemos que um grande problema em Orahovica é o desemprego, tendo este maior prevalência em mulheres até aos 25 anos. Definimos este como grupo alvo e decidimos motivar estas jovens a aproveitar os recursos que existem na cidade, como o lago, as ruínas do castelo e os trilhos de floresta, para criar novas oportunidades de trabalho.
Decidimos então ir até ao centro da cidade e chamar a atenção com um flashmob, e uma vez captado o nosso público alvo fazer algumas dinâmicas de grupo. Trabalhámos muito, aprendemos uma coreografia e fomos até à cidade, munidos de colunas e balões, prontos para o bailarico. Botámo-nos à frente do supermercado e da igreja, que nos pareceu ser o melhor local.
Acontece que Orahovica é uma pequena parvónia e se passaram por nós dez pessoas foi muito. Assim na loucura quinze, vá! Das quais talvez três fossem jovens. E quando tentámos abordar as pessoas para explicar o nosso objetivo, tenho quase quase a certeza que nos mandaram para sítios feios. Foi uma das coisas que me fez mais confusão. Se fosse em Portugal, muito provavelmente as pessoas iam parar para ver, tirar fotos e iriam querer saber o que é que estávamos ali a fazer, mas ali olharam-nos como se fôssemos aliens. E idiotas.
Ainda tentámos fazer alguns contactos e trazer as pessoas até ao nosso edifício à noite, mas ninguém apareceu.
Na quinta-feira de manhã, tivemos de fazer a apresentação do nosso projeto e mostrar se tínhamos atingido, ou não, os nossos objetivos. Assumimos que não conseguimos concretizar aquilo a que nos propusemos, no entanto, aprendemos com isso. Os trainers reconheceram que não tivemos condições para atingir o objetivo, salientaram o nosso esforço e o facto de não termos desistido. E divertimo-nos imenso, é o mais importante!
Para mostrar o nosso trabalho, apresentámos um pequeno vídeo, que eu fiz so-zi-nha! Estou muito orgulhosa de mim e das minhas competências, apesar de na realidade parecer um vídeo para a apresentação de um trabalho no secundário.
Ainda ontem de manhã, negociámos com os trainers uma hora de almoço maior para ir conhecer então o lago e o castelo.
Foi fantástico, a paisagem é linda mesmo! Parte chata número um: tivemos de andar imenso e subir imenso até ao castelo pelo meio da floresta. Alguns de nós desistiram no caminho, mas eu fui até lá acima! Parte chata número dois: os caminhos estavam completamente em lama, e se foi bonito para subir, imaginem a descer. Quando estávamos a descer alguém disse "Quem é que vai ser o primeiro a cair?" e eu apostei que ia ser eu. Guess what? Pois. Escorreguei e caí de rabo na descida! Nada de grave, como eu disse foi uma "gentle fall" e nem sequer me sujei muito. No final, ao olhar para os meus pés só parecia que tinha vindo da Queima, tudo tranquilo portanto.
Depois disto tudo regressámos ao trabalho. Fomos novamente divididos em quatro grupos e o meu grupo foi incumbido de fazer um role play, basicamente pintando um cenário muito negro do que poderia acontecer num EVS.
Criámos então uma cena na qual os voluntários estavam a ser quase escravizados, o boss exigia demasiado deles e chegava a falar de forma agressiva. Perante a postura dele, os voluntários assumiam atitudes diferentes: um contestava e o outro queixava-se, mas no fim dizia que sim a tudo. Também o mentor, que neste caso era eu, que é uma figura que visa proporcionar apoio e suporte aos voluntários, que deve ser imparcial e externa à organização, tinha uma relação próxima de amizade com o boss, por isso desvalorizava as queixas dos voluntários.
Pegando no nosso role play, os restantes grupos deviam dar aos voluntários (porque é esse o nosso papel) sugestões para agir de forma diferente e lidar com a situação de uma forma eficaz, comunicando de forma assertiva. Perante isto, fizemos de novo o role play, completamente de improviso, seguindo as sugestões dos nossos colegas.
Foi muito giro de fazer e elogiaram-nos a capacidade de representação também! Sempre a somar.
No final, a Sunčana e o Domagoj deram-nos cartas que foram escritas por outros voluntários. A mim calhou-me esta:
Achei isto mesmo incrível. Eu que ainda estou aqui um bocadinho perdida senti que esta carta me deu um bocadinho de sentido e de orientação. E vou seguir religiosamente os conselhos da Andreea! Só não a consigo encontrar no Facebook. Mas eu sou teimosa e não desisto.
A seguir tivemos um jantar típico da Croácia. Como welcome drink, rakija, que para mim é semelhante ao bagaço, e que é portanto uma excelente forma de combater o frio! Boa maneira de começar. A ementa incluía muita carne, mas eu mantive obviamente a opção vegetariana.
É de salientar a maravilhosa adaptação da sarma, que usualmente leva carne picada envolta numa folha de pickle de couve, feita com soja. Diz-se por aqui que a sarma está no seu auge quando é aquecida pela sétima vez.
A acompanhar, o vinho. Provei o branco e o tinto e gostei dos dois! Só achei mais fraquinhos que os nossos no que toca ao grau.
Depois do jantar, party again. Dançámos a dança do quadrado. Fizemos jogos tolos e atirámo-nos para o chão a rir. Fizemos danças típicas croatas e lituanas e caí mais duas ou três vezes porque aquilo era uma confusão. Dançámos Ricky Martin, Beyoncé e Shakira. Também não faltou Britney. Até karaoke de "Lachate mi cantare" e "Obsessión". E com isto eram 4h da manhã.
Às 9h recomeçámos os trabalhos. Os trainers alertaram-nos para a importância de planificar o nosso EVS e pediram-nos que nos imaginássemos no final e que nos desenhássemos (tentem, por favor, ignorar o facto de isto parecer, em simultâneo, que foi feito por um miúdo de cinco anos e por um psicótico).
É isto que eu imagino. Imagino-me com umas asas ainda maiores e "on top of the world". Mais confiante, mais experiente, mais rica (não em dinheiro obviamente, sou voluntária!). E claro, com as minhas pessoas, todos vocês, na minha retaguarda, a inspirarem-me sempre a ir mais além, a ser melhor e prontos a amparar-me em qualquer momento. A segunda imagem ilustra a forma como pretendemos alcançar o nosso objetivo para o nosso EVS e uma frase que nos pediram para escolher de entre várias. Eu planeio viajar muito, colecionar fotografias, memórias e bons momentos. Fazer novos amigos e visitar os que já fiz. Conto sentir-me feliz, desorientada, triste, deprimida, radiante, zangada e nostálgica. Espero conseguir superar obstáculos. E aprender, aprender muito! A não esquecer: "experience is not what happens to you, is what you do with what happens to you".
O último exercício foi desenharmos a nossa mão e fazê-la passar por toda a gente, para que cada um escrevesse alguma coisa sobre nós. Atendendo à minha, acho que as pessoas até me curtem.
E pronto, é isto. Agora vou só ali falecer um bocadinho, está bem?
Beijinhos!
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| A Becks, a nossa mascote nos últimos dias! |
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| Em Osijek |



























































