Olá a todos!
Apresento-vos a minha nova casa, onde vos vou por a par desta maluqueira que me deu na cabeça, sem vos importunar com as notificações no Facebook. Passem aqui quando vos apetecer, quando se quiserem rir um bocado ou só para me stalkar. Espero que gostem!
Ora bem, já foram sabendo das aventuras dos últimos dias, mas vou aqui fazer um apanhado por ordem cronológica, só para que fique registado:
Aeroporto de Zurique:
- Sem dormir decentemente há 24 horas e com uma escala de 23 pela frente, a primeira coisa que me enervou foi a senhora dos microfones a chamar passageiros que não me deixava dormir. A segunda foi a comida a preços estupidamente absurdos, de aeroporto e na Suíça.
- Às 22h consegui mais ou menos dormir duas ou três horinhas (quando a senhora dos microfones lá se calou). Quando acordei um rapaz veio perguntar-me qualquer coisa e iniciamos todo um diálogo, no qual fiquei a saber que ele é egípcio e estuda na Alemanha e às tantas acabámos a falar sobre taxas de desemprego e instabilidade política. Nisto juntou-se à festa uma simpática senhora alemã, nos seus 60, de cruz suástica ao peito.
- Uma hora mais tarde a senhora alemã da cruz suástica veio pedir-me ajuda, porque precisava de ir à conta do gmail mas não estava a conseguir e ficou sem bateria no computador. Eu ofereci-me para a deixar usar o meu e ela agradeceu muito e mudou o estaminé para o meu lado. Eram 6h20, ela de repente apercebeu-se que se calhar devia ir apanhar o avião. Eu perguntei a que horas era o voo e ela respondeu 7h20. Faltava portanto uma hora para o voo e a senhora estava calma e tranquilamente sentada a tentar entrar na conta do gmail, sem check in, sem saber qual nem onde era a porta de embarque. Eu disse-lhe que provavelmente era melhor ir andando senão ia a pé para Munique.
- Quando estava a embarcar em Zurique para Belgrado vi a minha mala de porão entrar no avião. Assim tive a certeza que ela ia! Nesse voo vim em Business Class porque já não havia lugares em económica, foi muito aborrecido. Em contrapartida achei que os meus tímpanos iam rebentar na aterragem. Acho que não se pode ter tudo.
Belgrado:
- Esperei pela mala e depois fui à casa de banho. Estava lá uma senhora da limpeza que ficou a olhar para mim como se eu fosse um bicho. Entretanto procurei a saída mas acabei a ir de elevador ter ao cimo de umas escadas rolantes que vinham dar exatamente ao mesmo sítio. Voltei a passar pela senhora da limpeza à porta da mesma casa de banho e ela já me olhou só como se fosse retardada.
- Logo na entrada para o aeroporto estava o autocarro que tinha de apanhar para a cidade. O motorista disse-me que só aceitavam dinares (que eu não tinha), mas que bastava trocar só 5€, que o bilhete custava aproximadamente 3€. Acabei por trocar 20€, já a contar com o autocarro para Vukovar, o que deu mais ou menos 2700 dinares. Voltei ao autocarro e estava outro senhor a vender os bilhetes, que não falava inglês, que entendi estar-me a pedir 3000 dinares. Enquanto estava na tarefa inglória de tentar fazer-me entender, um senhor sérvio muito simpático chamado Boyan (ele que me perdoe se escrevi mal) que se ofereceu para traduzir a conversa. Afinal o bilhete era só mesmo 300 dinares.
- Aproveitei e perguntei ao meu novo amigo Boyan onde é que tinha de sair para apanhar o autocarro para Vukovar, ao que ele me respondeu para não me preocupar que ia para o mesmo sítio. Nisto, levou-me até ao terminal, pediu indicações para mim e acabou por perceber que o meu autocarro era do outro lado da rua. Explicou-me onde era e pediu-me muita desculpa por não poder ir comigo até lá porque tinha de apanhar o autocarro dentro de 15 minutos.
- Ao chegar ao terminal certo, veio um senhor "funcionário" ter comigo a oferecer-se para me ajudar com as malas e a comprar o bilhete. Percebi que estava à espera de uma compensação monetária então estava a dar-lhe 20 dinares e ele não queria aceitar. Pensei que ele não queria aceitar por ser muito e insisti, que agradecia muito a ajuda. Ele então vira-se "são 200 dinares". Eu dei mas fiquei indignada, até perceber que 20 dinares são, mais coisa menos coisa, 16 cêntimos.
- Quando cheguei ao autocarro para Vukovar, mais uma vez o senhor motorista não falava inglês e também olhou para mim como se fosse um bicho. Percebi que tinha de pagar para colocar as malas na bagageira porque vi as outras pessoas a dar-lhe dinheiro e só percebi que eram 200 dinares porque ele me mostrou uma nota.
- Na primeira paragem não fazia a menor ideia de onde estava, porque tinha dormido um bocado e porque as placas estão todas em cirílico. Perguntei então a uma rapariga que ia no banco ao lado com quem comecei também toda uma conversa. Chama-se Maria, é da Macedónia, estuda tecnologia alimentar (segundo ela, é por isso que é vegan) e viveu o último ano no Wyoming. Adicionou-me logo no Facebook e disse que eu tenho de ir à Macedónia e ofereceu-se para me fazer uma visita guiada.
- Tenho agora dois colegas de casa, o Osmond que é francês, e o Roberto que é espanhol.
- Cheguei a Vukovar com vontade de tomar um banho e dormir uma semana, mas em vez disso fui à noite cultural na associação (YPGD). Conheci as pessoas com quem vou trabalhar e são todas impecáveis! No entanto, às 21h estava na cama.
Sábado:
- De manhã o Osmond e o Roberto mostraram-me a cidade, tomámos café e voltámos a casa para almoçar.
- À tarde o Roberto e eu fomos assistir a um workshop de robótica para os miúdos no YPGD. Gostei muito, especialmente porque entendo muito de robótica e de croata.
Domingo:
- Dediquei-me a desfazer as malas, arrumar o quarto e a separar as coisas que a antiga inquilina deste quarto, Fiona, cá deixou, entre roupa, sapatos, maquilhagem e produtos de higiene, seguindo as instruções dela, ficar com o que quisesse e despachar o resto. À tarde fomos passear outra vez e conhecer os arredores da cidade.
Amanhã vamos para Orahovica, para o On-Arrival Training, uma formação que vai reunir todos os voluntários que estão neste momento na Croácia, para nos conhecermos, trocar ideias, tirar dúvidas etc.
E pronto, para já é o que tenho para vos contar. Deixo aqui algumas fotos e mais tarde conto-vos um bocadinho da história da cidade.
Beijinhos!
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