sábado, 19 de novembro de 2016

Vukovar 1991

Hoje, 18 de Novembro, aqui em Vukovar é o Remembrance Day of the Sacrifice of Vukovar, memorial em honra das vítimas da Guerra da Independência da Croácia.

Para contextualizar, muito resumidamente e salvo algum erro, a antiga Jugoslávia dissolveu-se após a queda do Muro de Berlim em 1989 e a Croácia declarou a sua independência em 1991. Contudo, um mês depois, na sequência de ideologias nacionalistas, as forças paramilitares sérvias atacaram as principais cidades croatas e controlaram-nas durante algum tempo. Vukovar acabou por ser a cidade mais afetada, uma vez que houve uma verdadeira e acesa disputa entre croatas e sérvios pelo território, tendo os sérvios cercado completamente a cidade durante três meses. No entanto, os croatas acabaram por reconquistar a cidade, pese embora a ocupação sérvia ainda tenha durado até 1995 ou 1996.
Estima-se que no processo tenham morrido cerca de 10 mil pessoas, algumas das quais foram enterradas em valas comuns. Numa das maiores, que foi descoberta em 1992, estariam cerca de 200 pessoas e, pelo que entendi, só em meados de 2003 conseguiram identificar todas e devolver-lhes a identidade.

Ainda são muito visíveis em toda a cidade os vestígios da guerra. Ainda há inúmeras casas habitadas com buracos feitos pelas balas, muitas casas abandonadas e ruínas daquilo que em tempos foram casas. Há também, obviamente casas novas, reconstruídas, ou construídas já depois da guerra. É muito estranho ver como ambas "coabitam", literalmente lado a lado. E é muito estranho o sentimento de estar ali à frente dos buracos das balas. 















Uma escola básica (que continua a funcionar), perto do YPGD.









A Water Tower, talvez o maior símbolo da cidade, que os sérvios tentaram arduamente derrubar, sem sucesso.
























Nota-se ainda nas pessoas que a guerra está muito presente. São muito sérias, fechadas e não querem nunca falar sobre nada que tenha a ver com a guerra. E até aos dias de hoje, croatas e sérvios não são propriamente os melhores amigos. Há um sentimento de "o meu vizinho matou a minha mãe", como nos explicaram no On Arrival Training. Nas escolas, continuam a separar-se as crianças croatas das crianças sérvias, o que contribui para o perpetuar deste ódio.

O dia de hoje assinala-se com uma procissão, desde o hospital até ao Memorial Cemetery que construíram fora da cidade, onde estão os corpos apenas das vítimas da guerra.

No meio disto, eu senti muito o patriotismo, raiva ainda, sofrimento pelos que morreram, mas também nos que sobreviveram, ao recordar o que passaram.






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