quarta-feira, 12 de abril de 2017

Não, ainda não morri. O que tenho andado a fazer nos últimos meses #1 Opatija



Sou uma preguiçosa do pior. O objectivo disto é manter-vos informados e se estivessem à espera de saber de mim pelo blog, bem que podiam achar que já tinha morrido ou assim. Desde o último post já muita água passou debaixo da ponte. Mas bem, mais vale tarde que nunca e com a Primavera veio a minha vontade de fazer cenas, por isso agora enchi-me de genica e vou-vos actualizar do que andei a fazer nos últimos meses.

No início de Dezembro fomos visitar colegas de EVS, Noelia, da Galiza, e Robert, da Lituânia a Opatija, uma cidade pequena no litoral. Saímos daqui na 5ª, em direcção a Zagreb, onde nos encontrámos com outras colegas de EVS, Simona, da Sicília, e Valeryia, metade da Rússia e metade da Turquia, que muito gentilmente nos deram dormida. Fomos a uma noite de karaoke, bebemos umas cervejas (meio litro, se bem se lembram) e fomos para casa divagar sobre a existência até às 5 ou 6 da manhã. Tenho de salientar que fomos de táxi para casa e pagámos 20 kunas, cerca de 2,50€, e fiquei maravilhada.



Na manhã de 6ª partimos então para Rijeka e daí para Opatija. A viagem até Rijeka foi tranquila, mas desagradável, à conta das curvas e contracurvas e do sobe e desce montanhas.

 

Em Rijeka tivemos de apanhar um autocarro local até Opatija. Ao entrar no autocarro tive, com muita pena minha, de interromper a conversa do senhor motorista ao telefone para comprar o bilhete. Ele não achou graça nenhuma, vendeu-me o bilhete como se me estivesse a fazer um favor e ainda reclamou porque não tinha dinheiro mais pequeno. Uma simpatia. Se soubesse tinha ido sem pagar, que parece que é normal. Uma pessoa perde sempre por tentar ser honesta.

Ao chegar a Opatija, os nossos maravilhosos anfitriões tinham-nos preparado um almoço que me soube pela vida. Comemos e fomos até ao centro da cidade.

Uma vez que isto foi na altura do Natal, havia por toda a cidade pequenos mercados e feiras, com comida e bebida típica. Parámos num com música ao vivo muito agradável e decidi-me a experimentar o famoso kuhano vino, que é nada mais nada menos que vinho fervido com fruta e canela. Sou muito esquisitinha com estas coisas, e a ideia não me estava a soar nada bem, mas como já sou uma pessoa aberta à experiência deixei-me de coisas. E a verdade é que fiquei fã! A mim sabe-me a sangria quente, que por muito que possam achar terrível, é mesmo uma excelente opção para o frio.

Depois o ponto alto: o festival do chocolate, que na realidade foi o pretexto para a nossa visita. Sou sincera, fiquei um nadinha desapontada, estava à espera de algo maior e com mais chocolate. Era num hotel super fancy e tinha uma tablete gigante que me deu uma vontade louca de me atirar para cima. Obviamente que havia muito chocolate, mas havia muitas outras coisas pelo meio e eram essas que se podiam experimentar de borla, não é justo. Mas foi bastante agradável em geral!









No sábado de manhã fomos ter com os nossos colegas que estavam a trabalhar num mercadinho de Natal e à tarde fizemos parte do caminho conhecido como Lungomare, pela influência italiana, que se estende por 12 km à beira do Adriático.
Fiquei encantada com a cor da água, entre o verde e o azul, e com a temperatura! Juro que já estive em água mais fria no Verão em Portugal que aquela em pleno Dezembro.
Por outro lado, as praias são pedaços minúsculos de areia que na realidade são pedras. Daquela que nos obriga a ir calçados até à água se não queremos rasgar nenhum tendão.
Gostei muito também dos contrastes das cores de Outono com o mar, ali mesmo juntinhos!


                            

   

   





  



À noite fomos a Rijeka. A ideia era ir a uma sessão de cinema, mas já não havia lugares. Assim sendo, fomos ver um museu, e a seguir jantámos tranquilamente e fomos sair.

     
        
                                 


            



Entretanto provei fritale (já não tenho a certeza se é exactamente assim que se escreve), que é uma espécie de filhoses, com uma cobertura, que no meu caso foi obviamente chocolate. Nhami!



No dia seguinte saímos de Opatija de manhã e fomos até Rijeka para apanhar o autocarro directo para Vukovar, que levou SÓ 7 horas, tranquilo! Ainda tomámos um pequeno almoço muito agradável e demos um passeio, enquanto fazíamos um bocadinho de tempo para o autocarro.

                                               



E foi isto! Aguardem pelos próximos episódios ;)





terça-feira, 3 de janeiro de 2017

New year's message

(Exceptionally today I will share my new year's message in english so it can be understood by all people to whom I wrote it for! I apologize in advance for any grammatical errors and I warn you that I was a bit lame.)

The end of the year is just one more date on the calendar, however it imposes us the feeling of change and take us to put everything in perspective. We start to think about what was good or bad in the last year, about what we conquered and what is (yet) to reach, about people and places we met, and on the other hand inevitably create expectations and define those so typical new year's resolutions, that most of the times end up not happening.

My 2016 wasn't bad like to the rest of the world. It was the year in which I had more twists and turns in my life, and I can't stop thinking that the way I have started is completly different from the way I have finished it. And I'm so happy about it.
In 2016 I lived in Porto, I did an intership in something that I loved, I've fought the thesis monster and finished my studies. I worked in McDonald's and I felt the tough reality of working hard to have money in the end of the month. I learned that adult life is no piece of cake. But mostly, I increased my openess to experience and jumped into the biggest adventure of my life.

And this is how I have finished my year, practically in the beginning of this journey, but with a lot of memories and experiences on my luggage. So far, I've been in four new countries, I already spent a whole day on an airport and I've been in three different countries in only one day twice. I already travelled alone by bus and train, without any ideia about where I was, without speaking the local language and where nobody were speaking english and being fine with it. I already spent seven hours on a bus and seven hours on a train. I've met amazing people whom I'm sure will become my friends for life. Also I've had my heart broken saying "see you tomorrow" to my persons and I can't describe the feeling of knowing how much good they wish me.

I just want to thank you all who had an important role in my year. To my old friends, to the ones who 2016 brought me and new travel companions. To those who gave me strenght to go ahead or those who gave meaning to my path. To those who are always on my safe heaven and to those who are giving me a new family. Each one of you have a special place in me. I hope that each one of you have all the hapiness and all the best in this world, not only in 2017, but always.
And my advice is for you to challenge yourselves a bit more everyday, get out of your comfort zone and allow yourselves to enjoy everything that life can give you. The world is yours! Thank you from the bottom of my heart <3



quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Um dia produtivo

Uma vez que é raro acontecer por estes lados, acho pertinente partilhar o primeiro dia ocupado que tive, algures em finais de Novembro. Saí de casa às 10 da manhã e cheguei quase às 20h, it feels like home.

(É também de salientar que escrevi este post no próprio dia, mas acabei por não publicar, não sei porquê, para ser sincera)

Portanto...
Há algum tempo tivemos uma reunião numa escola básica aqui próxima e a professora de inglês ficou muito entusiasmada connosco e quis que integrássemos várias atividades nas aulas dela. Então de manhã fomos participar em duas aulas de turmas do 6º ano para celebrar o Thanksgiving, no papel dos estrangeiros e os miúdos no papel dos nativos. Fiquei a saber que a única coisa que conhecem de Portugal é o Cristiano Ronaldo, mas fiquei encantada com o inglês deles! Comparativamente aos miúdos de 11 ou 12 anos portugueses, estes são fantásticos. Não só conseguem perfeitamente manter uma conversa connosco em inglês, como em determinados momentos da aula falam entre eles em inglês também.

Mais tarde, o exercício físico. Um senhor daqui de Vukovar doou à associação umas mesas, cadeiras e algum material eletrónico e fomos buscar (pelo que entendi) à garagem da mãe dele. No processo, a senhora ia estando muito atenta ao que lá estava e iam ocorrendo diálogos do género:
- O que é isso?
- É um leitor de DVD.
- Ah. Para que é que isso serve?
- Para ver filmes.
- Ah então se calhar fico com isso!
- E isso o que é?
- É um monitor de computador.
- Ah isso dá-me jeito! Vou ficar com isso também!

Para que fique claro, enquanto andávamos a acartar as coisas a única coisa que eu percebi foi que algumas das caixas não eram para levar, só me traduziram a conversa mais tarde.

Ao final do dia fomos fazer uma apresentação sobre o EVS a um centro juvenil em Tompojevci, uma vila a 20 km de Vukovar (se me queixava antes de Vukovar, depois de ver aquela já acho que estou maravilhosamente aqui). A Martina, a nossa chefe, apresentou a parte mais teórica e "burocrática" e depois nós partilhámos um bocadinho do que tem sido a nossa experiência. A parte mais fantástica disto tudo é que nem sequer senti a ansiedade habitual por falar em público! Nem me reconheço. No final as criaturas não me pareceram muito interessadas na mesma, mas bem, fizemos a nossa parte, e muito bem!


Fim de semana em Novi Sad

Como já alguns de vós sabem, eu e os meus housemates fomos passar o fim-de-semana de 19 e 20 a Novi Sad, a segunda maior cidade da Sérvia.


Partimos de Vukovar no sábado, antes 13h e chegámos perto das 15h. Duas horas para fazer cerca de 90km. Parte deste tempo é passado na fronteira, uma vez que a Sérvia não pertence à União Europeia. Assim sendo, temos sempre de parar duas vezes para o controlo. Já percebi que quando se passa a fronteira de autocarro, há vários métodos de fazer a coisa: o condutor recolhe as identificações de toda a gente e leva aos polícias, os polícias vêm verificar dentro do autocarro (que é o que acho que faz mais sentido) ou então mandam toda a gente sair para ir mostrar as identificações na janelinha. Além da verificação das malas. Basicamente, dependendo do método claro, chega-se a perder meia hora nesta brincadeira.

Ao chegar  Novi Sad tive a sensação de "minha nossa, estou numa cidade a sério outra vez!". Não posso dizer, no geral, que seja uma cidade propriamente bonita, eu não achei nada de extraordinário. Na realidade tem zonas muito feiosas, com edifícios muito feiosos. Mas tem muita vida! E o centro da cidade tem monumentos lindíssimos.











































Mas vamos a peripécias, que é para isso que aqui estamos. Em primeiro lugar, não fizemos reserva de hostel, mas lá fomos nós muito crentes, direitinhos a um que tínhamos visto e que nos tinham aconselhado. O senhor foi muito simpático, mas só nos atendeu pelo intercomunicador e disse-nos que estava cheio porque estava a haver um festival não sei de quê, acrescentando tipo um "boa sorte para arranjar hostel sem reserva".

Posto isto, começámos uma incursão pela cidade a levar com portas na cara. Inclusivamente, fomos em busca de um que vimos na net e que quando lá chegámos percebemos que era (desculpem-me o termo) uma casa de p*tas. Apesar de nos ter parecido uma excelente opção, decidimos passar.

A dada altura, começámos a ver o panorama um bocado negro e percebemos que se não arranjássemos um hostel, ou dormíamos na rua, ou pagávamos os olhos da cara por um hotel, ou não dormíamos, porque já nem autocarro para voltar para Vukovar tínhamos.

Três horas e três bolhas nos pés depois, lá encontrámos em Petrovaradin, do outro lado do Danúbio não propriamente um hostel, mas um restaurante que tinha quartos, disponíveis! O quarto não era nada mau, cheirava a lavadinho e ficou por pouco mais de 10€ a cada um, bom negócio! Ficámos um bocado longe do centro da cidade, tipo meia hora ou 45 min a pé do centro (a analogia que consigo fazer é mais ou menos como Porto e Gaia), mas pronto, não foi nenhuma tragédia e foi o que conseguimos arranjar.

É de salientar que levei umas botas teoricamente confortáveis, que nunca na vida me magoaram, e que me fizeram três bolhas, uma delas que me deixou literalmente um buraco no pé durante três dias.

No sábado à noite fomos até ao centro, demos umas voltitas, jantámos e fomos a um barzinho muito acolhedor beber cerveja artesanal sérvia que sabia a laranja (parece estranho, mas era mesmo boa, juro!). Parece que é muito comum lá o conceito de pátios no meio dos prédios, com uma entrada estreitinha, com uma esplanada no meio e os bares à volta. Quando se passa na rua parecem becos escuros esquisitos, mas até é muito agradável.
















































Parece que a APA também serve em rótulos de cerveja
























No domingo de manhã fomos ao forte de Petrovaradin. É precisa quase meia hora a subir para lá chegar, mas vale a pena, tem uma vista fantástica de Novi Sad. Atendendo à quantidade de famílias que lá andavam, acho que é o típico local de passeio de domingo de manhã.















Depois passámos pelo Danube Park, próximo do centro da cidade, também cheio de famílias, e constatámos mesmo que nos nossos países não há tantas famílias e tantos miúdos a correr, a jogar à bola e a sujar-se como ali. E sobretudo parece que é algo que fazem todos os fins-de-semana e os miúdos não andam com smartphones ou tablets ou tralhas do género atrás.





De salientar que a Sérvia, em geral, é um país extremamente barato comparativamente a Portugal, e mesmo à Croácia, sobretudo no que toca à comida. Portanto não é estranho que tenhamos pago em média, cerca de 10€, no total dos três, por cada refeição que fizemos, incluindo pratos e bebidas.

Aqui está o exemplo da minha pizza (deliciosa) que custou mais coisa menos coisa 3€

Entretanto decidimos dar mais uma volta pelo centro e ver a cidade de dia, almoçámos e fizemos um bocado de tempo, porque tínhamos autocarro só às 16h30. A cidade é grande, mas a parte que vale a pena ver é o centro, e faz-se em meia dúzia de horas, portanto não tínhamos grandes planos.






Fomos calma e tranquilamente para a estação dos autocarros, chegámos uma hora antes e afinal era só às 19h30. Quatro horas para matar, tralhas às costas, bolhas nos pés, noite e frio. Decidimos só acampar num café e pronto.

E foi isto, chegámos a casa quase às 22h, com mais umas quantas histórias engraçadas para contar.